quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Crônicas des dias passados.

"Estranho como sinto a mesma coisa quando leio aqueles cartas. O tempo passou, o mundo mudou, um caos virou e nós ainda estamos aqui. Parados, perdidos...tentando achar algo que talvez nunca tenha se perdido.Ouvimos musicas antigas que nos deixam com saudade. Saudade de que? De uma vela que continua acesa e fingimos não ver... de uma garrafa de wisky guardada a anos... Gosto de como as coisas são, de como elas mudam... gosto de sentir o vendo gelado queimando o rosto nos dias frios, gosto do gosto amargo do café...quero senti-los agora. Quero ver as chamas consumindo meu passado e transformando-o em cinzas, não quero quero viver ouvindo as vozes dos amantes modernos me dizendo o que fazer, quero viver como se a vida fosse uma obra de arte daqueles que ninguem sabe como é"

Ausência.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Pneumotorax.

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos,
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
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Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
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- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

domingo, 12 de outubro de 2008

Diálogo:

— E você, por que desvia o olhar?

Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

22:12 PM

"Eu vivi sonhos...
Leve com você só o que foi bom.
Fica em paz que eu me viro bem."

São Paulo, 8 de outubro de 2008. [Pensamentos de hoje]

Devo ir embora agora, esquecer das coisas que acontecem sem que eu perceba, das minhas memórias que voltam para assombrar meus dias, daquela saudade doída no fundo da alma. Existem certezas por trás de panos, que nunca serão confiscadas e palavras guardadas que nunca serão esquecidas. Só o que quero agora é poder dormir em paz, ter um sono profundo que me faça esquecer as possíveis mágoas.




Porque se ele estivesse aqui, eu não sei o que eu faria de mim mesma.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

De 20 de setembro à 2 de outubro.

O futuro se adiou mais uma vez, causando essa confusão, tanta coisa a se dizer mas fica engasgado, profundamente... Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim... não consigo chorar, nem sei se eu precisava chorar agora. Já passou tanto tempo, a ausência amenizou esse sentimento desordenado. O que importa é que você está feliz, queria poder te ver sorrir, não, na verdade eu não quero te ver, lembranças são bonitas, a realidade nem tanto. A muito tempo não faço sentido, o egoísmo fica brigando com a minha consciência, melhor não estar presente nesse campo de batalhas. "A paz que se quer a ausência vai dar". Tomara...